Vencedor da edição 2016: Marcio Dal Rio

Minibiografia

Marcio Dal Rio nasceu em Mococa-SP, em 1973, e vive em São Paulo. Participou das coletâneas “Palavras de Poetas” 3 e 4 (Editora Physis, 1994 e 1995), “Transitivos” (Off Produções Culturais, 2011), “Curva de Rio” (Editora Giostri 2017) e “Carne de Carnaval” (Editora Patuá 2018). Em 2016, venceu o Premio Maraã de Poesia, promovido pela Editora Reformatório, com apoio da Academia Paulista de Letras, por meio do qual teve seu primeiro livro solo pu.blicado, “Balada do Crisântemo Fincado no Peito” (Reformatório 2017). Desde 2006, escreve o blog Bloganvile, atualmente alojado no site: www.marciodalrio.com.br.

Sinopse

"Este livro é uma epopeia poética de 138 parábolas que nos alerta sobre algo inevitável de nossa condição: todos temos um crisântemo fincado no peito, imposto pela banalidade da vida que nos sitia, o poderoso nada de que são feitos os homens comuns, que ditam o costume, não a história; geram os vícios, não a arte; erguem os muros e nada sabem das portas secretas. Que lucidez sobrevive ao Campari com Ki Suco e à telenovela das seis? Entretanto, é preciso resistir aos reclames e às sugestões da vulgaridade. Marcio Dal Rio faz isso com rigor estético, repelindo os crisântemos e impondo uma linguagem de fragmentos densos, machucados, imperiosos na sua modernidade." 

(Mafra Carbonieri, Academia Paulista de Letras)

3 poemas de Balada do crisântemo fincado no peito

1
Perguntei aos crisântemos se deveria continuar nessa vida estúpida.
Tristes, eles me disseram que gostariam de
me ver num elevador panorâmico de uma 
multinacional a meter os dentes nas
pernas carnudas de uma falsa executiva.
Olhei-os com severidade e suspirei.

2
Crisântemos almoçam carpaccio e se entopem
de mousse de maracujá depois do arroto.
Gostam de colecionar revistas pornográficas
e de se fartar com as banalidades da vida.
Programa de auditório, para os crisântemos, é remédio.

3
Crisântemos fazem roleta russa no cruzamento.
Divertem-se envenenando uns aos outros. 
Crisântemos enchem a cara para fazer arruaça.
Quebram vitrines, jantam prostitutas.
Para depois limpar os dentes nas barras
das saias das garotas da sociedade.